domingo, maio 17, 2009

Mãos Dadas.


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Deummond de Andrade.

O poeta estende a mão para que sigamos no mundo juntando ausências que nos completam no outro e nos tornam mais fortes no caminhar preciso e presente.

Um comentário:

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Evelyne! Realmente, nós nunca devemos afirmar de sã consciência, que não precisamos de ninguém. O Progresso, quando oriundo de um trabalho compartilhado, é bem mais rápido. "A união faz a força".

Eis mais uma bela criação do célebre Drummond.

Estive navegando, avistei tua nave, adentrei, amei e não resisti.

Beijos,

Furtado.