domingo, agosto 17, 2008

Ritual da Lua.


Há quem duvide da força da lua em nossas emoções. Eu nao. A lua não só me encanta o olhar. Ela brinca em meu rosto, como cantou Dalto, na década de oitenta e chega a me tirar do eixo.

Como a lua, tenho fases. E me sinto cheia de sensações, quando ela está plena. A sua força penetra em meu ser, vasculhando saudades, dores, desejos, amores e desilusões.

A lua me desnuda e me torna vulnerável. Eu vibro e choro com o luar.
A sensibilidade, em mim já aguçada, na lua cheia transborda e deve ser por isso que corro para o mar. Além de contemplar as cristas das ondas douradas, lá deságuo meus excessos.

Em minutos dispo-me inteira. Lavo cada recanto de mim. Perco-me no reflexo da lua. Encontro-me em sua luz. Visto-me com um pouco de sua beleza.

A mulher que desce, não é a mesma mulher que sobe a Ladeira do Sol, em noite em que é a lua que reina. Aquela deixou suas mazelas no mar. Essa é uma mulher renovada que recomeça seu caminhar.

Hoje, o eclipse lunar, fez o meu ritual mais necessário. Há dias vinha sentindo o rebuliço causado à minha volta e no meu âmago. Cumpri-o como uma boa discípula de sua majestade que vem e altera as minhas marés.

"Tantas vezes eu quis
Ficar solto
Como se fosse uma lua
A brincar no teu rosto
Cuida bem de mim..."
Dalto.

Evelyne Furtado, 16 de agosto de 2008.

2 comentários:

AnadoCastelo disse...

Que bela reflexão lunar. Por aqui é difícil dos citadinos olharem para o céu e ver a lua, mas pode crer que se eu vivesse aí teria concerteza boas oportunidades para o fazer.
Beijinhos

Evelyne Furtado disse...

Pois é. Ontem eu fiz esse trajeto mesmo. Desci para ver a lua e o mar, aproveitando para lavar minha alma. E deu certo. Me fez bem.
Seu contato daí do outro lado do oceano também me faz bem, Ana.
Beijão