segunda-feira, março 17, 2008

Carta a meu Pai.


Há vinte e um anos você se foi. Não parece. Sei que hoje você habita meu coração. Encontra-se na maneira como ajo diante da vida. Na minha maneira de amar e de me relacionar. A gente se acostuma a ausência. O tempo faz isso para que sobrevivamos a dor. Penso em você todos os dias. Dialogo com você, quando tenho que tomar uma decisão. Tento esconder de você minhas dores, para que você não se preocupe, pois´você só merece paz, mesmo assim sinto a sua prresença e lembro quando você me via triste e perguntava " O que é Veca?". Bastava olhar e você percebia que eu sofria.
Estou escrevendo por impulso. De repente senti um nó no meu coração. Uma saudade que passa despercebida no dia a dia. De repente eu queria ser menina de novo e me proteger no seu abraço. Queria acordar a noite e saber que você me conveceria que tudo estava bem e que eu podia voltar a dormir. Nesse momento senti falta do homem bom que você foi.
A minha memória voltou àquele 17 de março, quando sua netinha ainda não havia completado um ano e você partia. Lembro que antes de ir, você me beijou a mão, confortando a filha mais velha e sensível como você.
Pai, hoje mamãe repetiu o ritual que cumpre ha 21 anos. A missa, as flores, a visita. Eu tentei confortá-la, pq sei que ela é quem sente mais saudade, mas não fui.
Eu pensei em você o dia inteiro. Agora deixo a saudade tomar conta de mim e choro. Mas não quero que você fique angustiado. Estamos bem. Só quero lhe oferecer flores e todo amor que tenho por você, o melhor homem que conheci.
Te amo e agradeço a Deus por nos ter dado, a mim, a Mana, a Márcio e a Mel o pai doce, afetuoso e justo que você foi. Pena que tenha sido por pouco tempo. Quando você foi eu só tinha 25 anos e até hoje me sinto desprotegida sem você.
Hoje eu lhe ofereço a mais bonita flor que houver.
Beijos e abraços. Muitos.
Veca.

6 comentários:

Anônimo disse...

Lendo o que você escreveu sobre papai fiquei emocionado e confortado, porque por um momento me cobrei de não me lembrar logo cedo dos vinte e um anos da morte de papai, mas depois pensando, eu não esqueci, alguma coisa estava diferente ontem talvez eu queria esquecer o dia mais triste de minha vida, jamais esqucer o melhor o mais justo e o mais carinhoso pai que alguém pôde ter, parabéns pala carta.

Márcio.

Evelyne Furtado disse...

Oi, Bau!
Lindo o que vc disse. Foi realmente o dia mais triste para todos nós, mas tb tivemos o mais doce, carinhoso e justo dos pais.
Beijos, hermano.

ana livia disse...

Achei lindo o q vc escreveu sobre papai,engraçado q esse ano todos os dia q antecederam o dia 17 eu lembrei e um desses dia sonhei com ele me dando um abraço parecia real e um abraço como uma proteçao, passei o resto do dia me sentindo pra cima no alto astral.
bjos.

Evelyne Furtado disse...

Que maravilha, Mana! Esse abraço é o que mais me faz falta. Mas sinto ele mais perto também.
Beijos e obrigada.

Melissa disse...

Hoje, 18 de maio de 2011, por acaso reencontrei essa carta escrita a papai. E novamente me emocionei.E ao ler os comentários de Mana e Márcio mais uma vez veio o choro. No meio de tanta emoção me perguntei porque todos comentaram tão linda homenagem, todos os filhos, menos eu. Por quê? O engraçado é q não me recordo com exatidão desse dia, a carta hoje me parece nova, o sentimento hj é novo, pois não quero mais me refugiar no meu silêncio, hoje eu NÃO queo ensurdecer meu coração, hoje quero chorar e sentir pelo abraço não mais dado, o beijo não mais sentido, o amor não mais recebido...sentir pela segurança tanta necessária, na esperança de aplacar o meu coração que hj transborda de saudade.

Evelyne Furtado. disse...

A saudade às vezes é tão grande que a gente a evita, Mel. Não o quero distante de nós. Ele nos deixou um amor enorme. Lindo o que vc escreveu. Que seja essa a forma que ele encontrou para nos envolver no mesmo abraço. Beijos.