terça-feira, agosto 05, 2008

Uma Crônica de Domingo ( Divagações)


A que me servem as palavras se não for para expressar o que sinto, penso ou vivo? Existem palavras que me soam lindamente, mas nem por isso as uso. Não posso abusar do vocábulo "miríade", apesar de achá-lo uma das mais belas palavras da língua portuguesa.

Pois bem, a estética perde para o significado quanto à minha escrita. Escrevendo me exponho, ainda que não fale diretamente sobre a minha pessoa.

Revelo-me nas linhas e entrelinhas mesmo quando imagino alguma situação. Mostro-me nos versos instantâneos e na prosa, que muitas vezes inicio sem saber aonde vou parar, nem sobre o que falarei.

Não me proponho fazer literatura. Outro dia ouvi dizer que catarse não é literatura. Faço catarse escrevendo, portanto, de acordo com essa pessoa, não faço literatura.

Afinal, o que é literatura? Deve ser algo bem difícil de fazer, mas nem sempre de ler, acredito. Se Machado de Assis, Gabriel Garcia Márquez, Balzac, Flaubert, Rachel de Queiroz, entre tantos outros, me deliciam com suas obras, nem sempre os literatos são chatos.

Lembrei de Rachel de quem gosto muito (assim no presente e com essa intimidade); que dizia ser um ofício penoso o de escritora. Ela não parecia ser uma pessoa infeliz, como as que trabalham com o que não gostam. A escritora cearense talvez se referisse ao esforço que fazia para tornar seus livros acessíveis aos leitores, pois aos meus olhos eles fluíam naturalmente.

Li desde O Quinze, na adolescência, até Tantos Anos, suas memórias, escrita em parceria com Maria Luiza Queiroz, sua irmã e "cúmplice" com diz José Neumâne Pinto.

Tudo que Rachel de Queiroz escreveu é verdadeiro. Ainda que ela não seja Maria Moura ou Dora, ela fala do sertão, do nordeste e dos nordestinos de forma simples, bem escrita e fácil de ler.

Comecei escrevendo sobre a função das palavras para mim e desandei a falar sobre uma das minhas escritoras favoritas.

Mas não fui incoerente. Há um sentido nessas linhas: Rachel de Queiroz formou parte do que sou e a imagem que tenho do meu povo, com realismo e beleza.

O que escrevi nasceu de uma coceira que me dá quando há necessidade de por em palavras qualquer coisa, pelo simples prazer de escrever. E assim o faço. Sem pretensão nenhuma de fazer literatura, que ainda não sei bem o que é apesar de ler com voracidade desde a infância. Talvez esse apetite voraz explique o motivo. Escrevo como leio e pronto.

Evelyne Furtado, 03 de agosto de 2008.

4 comentários:

Rafael Castellar das Neves disse...

Olá Evelyne!!

Gostei muito do seu blog, um espaço seu com um conteúdo bastante interessante. Parabéns!

O encontrei em buscas pela internet, pois há alguns dias criei o meu blog para que eu pudesse divulgar e contar com comentários do meu trabalho, e tenho buscado blogs afins para que eu também pudesse conhecer os trabalhos publicados.

Aproveito para lhe convidar a visitar meu blog e, se possível, deixar seu comentário.

Obrigado e parabéns novamente!

Abraço,

Rafael

Evelyne Furtado disse...

Oi, Rafael!
Obrigada pela visita. Volte sempre.
Abraços.

AnadoCastelo disse...

Essa de ser ou não literatura é mesmo de intelectual. O que interessa ser literatura ou não, o que interessa é o gosto pela leitura e haver quem escreva bem e que essa leitura dê prazer a quem lê. Tudo o resto é complicação do ser humano.
Beijinhos e bom fim de semana

Evelyne Furtado disse...

Sábia, Ana!
Adorei esse comentário. É como penso. Obrigada, querida.
Bejos